O arroz no Rio Grande do Sul fechou julho com a média mensal mais alta dos últimos 11 meses, resultado da combinação entre oferta restrita e demanda firme no mercado interno. É o que aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CPEA), que também chama atenção para o comportamento cauteloso dos produtores gaúchos, ainda pouco dispostos a fechar negócios neste momento do ciclo. 

Arroz no Rio Grande do Sul: produtores apostam em nova alta na entressafra 

De acordo com o levantamento, os produtores de arroz seguem retraídos nas vendas, por considerarem que os preços atuais ainda não remuneram de forma adequada os custos de produção. Essa postura reflete uma aposta comum entre os arrozeiros gaúchos: a de que os valores tendem a subir ainda mais ao longo da entressafra, período em que a oferta do grão costuma ficar mais apertada. 

Entre os fatores que sustentam esse cenário, destacam-se: 

  • Oferta restrita do cereal no mercado gaúcho 
  • Demanda aquecida por parte da indústria e do varejo 
  • Produtores retraídos, à espera de preços melhores 

Cafés especiais miram novos negócios no exterior 

Enquanto o arroz se destaca no Sul, o setor de cafés especiais projeta resultados expressivos em uma missão comercial internacional. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) estima que a participação de produtores e empresas brasileiras na feira Expoca Café Chile pode gerar 5,5 milhões de dólares em negócios, dos quais mais de 1 milhão de dólares já teriam sido fechados presencialmente durante o evento. 

A ação integra o projeto setorial Brasil Coffee Nation, desenvolvido pela BSCA em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), que tem como objetivo ampliar a presença dos cafés especiais brasileiros em mercados internacionais. 

Trigo no Paraná volta aos patamares de 2025 

O mercado de trigo no Paraná também chamou atenção em julho. As cotações do cereal no estado retornaram, em termos reais, aos níveis observados em agosto de 2025, movimento atribuído à restrição da oferta disponível no mercado spot. 

Segundo pesquisadores do CPEA, a necessidade de recomposição de estoques levou compradores a elevarem gradualmente suas ofertas, na busca por lotes de melhor qualidade. Do lado da oferta, vendedores mantêm disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, o que tem restringido as negociações a volumes pontuais. 

O que os três mercados têm em comum 

Arroz, café e trigo, cada um a seu modo, mostram um padrão semelhante neste início de segundo semestre: oferta mais apertada e produtores em posição de espera, seja por valorização futura, seja pela conquista de novos mercados. Para o Rio Grande do Sul, em especial, o comportamento do arroz nas próximas semanas deve ser um indicativo importante de como a entressafra vai se comportar em termos de preços. 

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